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Opinião

A importância da moralidade na economia

“A moralidade é uma característica intrínseca à vida humana em sociedade e está diretamente correlacionada com justiça, direitos e deveres individuais e ética”.

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Opinao João Formiga
Foto: DR

A importância da moralidade na tomada de decisão económica é fundamental, mas muitas das vezes negligenciada. Todos nós já ouvimos falar de moral, mas definir o que é a moralidade torna-se uma tarefa um tanto ou quanto exigente. A moralidade é inerente à condição da vida humana e dos mercados pelo que a sua abstração da economia política acarreta resultados indesejados e ineficientes.

A teoria económica parte do princípio de que o agente económico tende sempre a procurar a melhor situação individual, isto é, a que lhe proporcione um elevado nível de prazer como forma de auto recompensa. Contudo, a situação preferível do indivíduo não se mantém constante ao longo do tempo e é influenciada quer por situações internas ao individuo quer por situações externas ao individuo. A alteração dos gostos ou preferências é a situação mais comum de ocorrer no que a situações internas ao indivíduo diz respeito. Por sua vez, as situações externas usuais são as alterações no rendimento disponível e mudanças no ambiente político e social. A abstração da moralidade na maximização da utilidade do indivíduo traduz-se em conclusões falaciosas e insuficientes na relação do indivíduo com a sociedade.

A moralidade é uma característica intrínseca à vida humana em sociedade e está diretamente correlacionada com justiça, direitos e deveres individuais e ética. Ainda assim também estas condições que delimitam o termo de moralidade são moldáveis ao longo do período de tempo. O que entendemos por justiça tem influência direta nos nossos direitos e deveres individuais e define um limite à ação do indivíduo na maximização do seu bem estar. A delineação de justiça é o resultado de um processo histórico de partilha de valores que beneficiem a vida em sociedade em que a formulação destes resultam de simpatia. O sentimento de simpatia leva um indivíduo a procurar identificar-se com o prazer e dor de um terceiro, o que não sendo condição necessária traduz-se numa melhor sociedade. O egoísmo do indivíduo que busca prazer na identificação com os sentimentos dos demais promove, embora de uma forma diferente, a maximização do bem-estar individual e contribui para o bem-estar social.

Apesar da teoria económica considerar os diversos agentes económicos livres de efetuar as suas escolhas com vista à maximização da utilidade dada uma única restrição, o rendimento disponível, estes agentes são também condicionados por aspetos morais que resultam da vida em sociedade e daquilo que a sociedade considera como comportamento digno, gratificante e correto ou suscetível de ser alvo de críticas ou punição. Contudo, o respeito pela moral pode não garantir o mais elevado nível de utilidade que o rendimento disponível permite adquirir impedindo o individuo de maximizar o seu bemestar, mas apesar do individuo abdicar desse prazer, que considero momentâneo, garante atingir a parcela que abdicou e que lhe proporciona a sua maximização de bem-estar ao sentir-se socialmente aceite. Numa vida em sociedade a moralidade é fundamental para o bem-estar coletivo e desenvolvimento de relações de cooperação entre os diversos agentes económicos.

 

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O Notícias de Leiria convidou todos os partidos representados na Assembleia da República para a publicação de um artigo de opinião, da inteira responsabilidade do seu autor.

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