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Aeroporto na Região Centro vai ser tema de cimeira entre Leiria e Coimbra

As comunidades intermunicipais das regiões de Leiria e Coimbra pedem o fim do centralismo de Lisboa.

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Foto: A cimeira entre as Comunidades Intermunicipais das Regiões de Leiria e de Coimbra realizou-se em Ansião / Facebook Gonçalo Lopes

A primeira cimeira entre as comunidades intermunicipais das regiões de Leiria (CIMRL) e Coimbra (CIM RC) não teve na agenda a questão de um aeroporto na Região Centro, que vai ser abordado em novo encontro, em fevereiro, foi hoje anunciado.

“Intencionalmente essa questão não foi abordada”, afirmou aos jornalistas o presidente da CIM RC, Emílio Torrão, na conferência de imprensa após a cimeira entre as duas CIM, que hoje se realizou em Ansião.

Emílio Torrão adiantou que ficou acordado que um aeroporto na Região Centro, embora fosse um “tema óbvio” de discussão, é “suficientemente importante, suficientemente complexo, para merecer uma cimeira só quase exclusivamente dedicada” ao assunto.

Segundo o também presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, a questão será objeto de debate numa próxima cimeira, frisando que a de hoje abordou os temas “mais relevantes neste momento, no contexto político atual”.

“Estes são os temas que mais nos preocupam e que têm o sentido de oportunidade certo para serem discutidos nesta cimeira”, declarou, numa alusão às áreas de atuação hoje discutidas, que incluíram, entre outras, a saúde, o conhecimento ou os transportes e mobilidade.


Gonçalo Lopes defende abertura de Base Aérea de Monte Real ao tráfego civil

Já o presidente da CIMRL, Gonçalo Lopes, que defende a abertura ao tráfego civil da Base Aérea n.º 5 em Monte Real, concelho de Leiria, adiantou que na próxima cimeira, além de ser abordado o futuro “aeroporto internacional na Região Centro”, vão estar em cima da mesa a descentralização de competências, matéria que “tem deixado bastante preocupados os autarcas da região”.

“Vamos fazer um balanço dessa descentralização e vamos também falar sobre a rede de acessibilidades e economia circular”, acrescentou, referindo que a reunião decorrerá num dos 19 concelhos da CIM RC, em fevereiro.

Questionado sobre a eventualidade de cimeiras com outras comunidades intermunicipais vizinhas, o autarca de Leiria explicou ter ficado definido que o nível de envolvimento das duas CIM “será numa lógica de cooperação estratégica, partilha de conhecimento e de projetos em comum”.

Também Emílio Torrão assegurou a abertura no diálogo com outras CIM.

“Já abordámos outros presidentes de CIM. É evidente que, tematicamente, serão selecionadas as comunidades em função da comunhão de interesses e da similitude de reivindicações”, precisou.

Segundo este responsável da CIM RC, o país só tem “a ganhar com a afirmação desta região [Centro]”, reafirmando disponibilidade para “alargar a discussão para outras CIM”.


Coimbra e Leiria lutam para ser Capital Europeia da Cultura 2027

Sobre o facto de haver nas CIMRL e CIM RC duas candidatas a Capital Europeia da Cultura 2027 – Coimbra e Leiria -, Gonçalo Lopes referiu tratar-se de duas candidatas fortes no país para “poderem passar à ‘short list’ [lista pequena] que irá ser decidida dentro de muito, muito pouco tempo”.

“O desejo que hoje foi manifestado pelas duas CIM é que passem as duas cidades, quer Coimbra, quer Leiria (…) e se, por acaso, só passar uma, estamos disponíveis para cooperar, porque é esse o nosso objetivo”, declarou.

Regiões de Leiria e de Coimbra estão contra o centralismo

As comunidades intermunicipais das regiões de Leiria (CIMRL) e Coimbra (CIM RC) reclamaram “atenção redobrada” e pediram que não se continue a apostar no centralismo de Lisboa e das duas áreas metropolitanas.

“[É] um território que reclama e exige uma atenção redobrada naquilo que é o ciclo de recuperação económica que iremos viver nos próximos anos”, afirmou o presidente da CIMRL, Gonçalo Lopes, na conferência de imprensa que sucedeu ao encontro que teve como temas Desenvolvimento e Coesão.

Gonçalo Lopes salientou que as duas comunidades têm um terço da população (740 mil habitantes) da Região Centro, além de que representam 35% do seu Produto Interno Bruto, e têm “as duas principais cidades desta mesma região”: Leiria e Coimbra.

Destacando que é “fundamental uma estratégia de recuperação económica e social do país”, na sequência da pandemia de covid-19, o socialista Gonçalo Lopes realçou que esta região reivindica que “não se continue a apostar” no centralismo de Lisboa e das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, mas antes que se olhe para o país como uma “oportunidade de coesão e desenvolvimento harmonioso”.

“Aliás, é essa a experiência que as duas comunidades mantêm dentro do seu próprio território, desenvolvendo concelho a concelho, freguesia a freguesia, de uma maneira coesa e de uma maneira partilhada”, declarou.

Elencando alguns dos 50 pontos de comum acordo distribuídos por oito áreas que constam num documento final distribuído à comunicação social, o autarca destacou a saúde, considerando esta “fundamental nos próximos anos”, para conseguir tornar o país “capaz de reagir a futuras crises”, como a da pandemia.

“E por isso, [é necessário] não só o reforço do investimento dos hospitais em Coimbra, mas também em Leiria, mas em especial na rede dos centros de saúde que os nossos territórios têm”, frisou, para reiterar que na reunião de hoje esta foi apontada “como uma área muito importante a apostar nos próximos anos”.

Ao nível dos transportes e da mobilidade, o presidente da CIMRL avisou que “uma região que necessita de promover a coesão” tem de continuar a investir na rodovia e na ferrovia.

“Estes são investimentos que consideramos decisivos acompanhar nos próximos anos, naquilo que é a intervenção em termos de investimento público no nosso território, em especial no reforço da Linha do Oeste, mas também dos itinerários complementares”, referiu, acrescentando ainda a área do conhecimento, formação e educação.

Neste âmbito, defendeu o reforço nas instituições de ensino superior, decisivas para tornar o tecido económico mais resiliente e mais preparado.

“Estas são algumas das áreas de atuação que estabelecemos, que irão ser reforçadas com uma intervenção política no decorrer das próximas semanas, com contactos com elementos do Governo, mas também, sobretudo, com os candidatos das diversas forças partidárias às próximas eleições legislativas”, adiantou.

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