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Opinião

Amar em tempo de guerra

“Como voltar a sentir as pernas bambas em momentos cliché ou, simplesmente, manter a qualidade e a integridade das relações em tempos de confinamento?”

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em

Opinião Carolina Costa
Foto: Psicóloga Carolina Costa / NL

E eis que, por entre dias tão atípicos que já quase nos fazem acomodar à sua aparente normalidade, tropeçando nas comemorações de sempre, dias de festa e outros, chegou aquele em que, para os mais despistados (e não só) se celebra o amor!

Cansados que estão das rotinas, os corpos tentam reinventar-se e dançar ao som de uma música que, para muitos, já não toca há algum tempo. Os abraços de outrora sofrem o abalo da monotonia, o tédio instala-se, os silêncios prolongam-se, temas de conversa são adiados.

Anulam-se por agora as filas de espera e a corrida às reservas para os melhores restaurantes, as floristas não se empatam com os arranjos por fazer, os mimos pirosos que todos negam comprar não estão agora à disposição…

Então, como se fará isto do reacender da chama (em caso de SOS)? Como voltar a sentir as pernas bambas em momentos cliché ou, simplesmente, manter a qualidade e a integridade das relações em tempos de confinamento? Será possível que nos possamos reinventar atropelados por tantos excessos e tantas faltas, ao mesmo tempo?!

Comecemos, talvez, por considerar o quarteto feliz ou hormonas da felicidade como as endorfinas, a dopamina, a serotonina e a ocitocina e por cada uma delas vou deixar-vos uma sugestão.

RIR! É 100% natural, relaxa o corpo, regula o humor, a autoestima, a autoconfiança e reforça o sistema imunitário. Procurar rir juntos, enquanto casal, terá um impacto positivo na perceção das situações e até na resolução de conflitos. Ver um filme cómico, contar anedotas, fazer cócegas ou jogos de improviso e role-play… tudo oportunidades para despertar o reencontro emocional na relação;

CHOCOLATE! Quem nunca surpreendeu a sua cara metade com o melhor adoçante de todos os tempos? O chocolate, juntamente com outros estimulantes como a ATIVIDADE FÍSICA, pode impulsionar a produção de endorfinas e outras hormonas responsáveis por sensações de relaxamento e bem-estar. Assim, a ocasião pode ainda ser potenciada por um momento de treino a dois ou MEDITAÇÃO, sendo evidente a sua importância na manutenção da higiene física e mental. Estas práticas contribuem para a estimulação de habilidades cognitivas relacionadas com o comportamento, inibindo as hormonas do stress responsáveis por atitudes mais impulsivas;

ABRAÇAR! Está bioquimicamente confirmada a eficácia do abraço demorado (+ 30 seg.) na libertação da ocitocina, a hormona do amor! Que por estes dias (e em todos os outros também) se abusem dos abraços-cesto e, numa partilha perfumada de amor, se envolvam os braços nos abraços que ainda podem ser dados e se embalem ao som de uma memória que se revisita, de um encontro com o inesperado ou de um sonho projetado a dois.

A evidência científica diz-nos que, quanto mais flexíveis e criativas, melhor as pessoas conseguem superar desafios pessoais, sociais e profissionais como aquele que estamos a vivenciar nos dias de hoje. Sugiro que se abra o coração para a ocasião, que se façam surpresas daquelas de podem ser as de todos os dias… sussurros de ouvido, recados no espelho, bilhetes escondidos e que, acima de tudo, se estabeleça uma comunicação consciente, identificando e partilhando o que de melhor cada um traz à relação e à vida do outro, arrumando os tons de crítica e todas as fragilidades.

Que se celebre então o amor, neste e em todos os outros dias e que assim seja em qualquer circunstância…

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