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Cinema

Egos Tóxicos – Annette

“O casal mediático vive debaixo das luzes da ribalta e todos os altos e baixos das suas carreiras e da sua relação são motivo de notícia”.

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Foto: Annette / DR

Título: Annette
Realizador: Leos Carax
Ano: 2021
Classificação Notícias de Leiria: 6/10 brisas do lis

Henry McHenry (Adam Driver) é um comediante invulgar e bem-sucedido. Ann Defrasnoux (Marion Cotillard) é uma cantora de ópera reconhecida internacionalmente. O casal mediático vive debaixo das luzes da ribalta e todos os altos e baixos das suas carreiras e da sua relação são motivo de notícia. O nascimento da sua filha Annette, uma criança com um dom muito especial, não é exceção.

Henry tem uma personalidade tóxica e apodera-se do filme de forma arrogante e egocêntrica, tal como se apodera das vidas das outras personagens. A sua mesquinhez, egoísmo e incapacidade de lidar com o fracasso vão sendo gradualmente expostos, ao mesmo tempo que a adoração do público por Ann cresce. Annette é apenas um fantoche nas mãos dos pais, que a utilizam como meio de veicular os seus sonhos, ambições e vinganças. A longa-metragem encerra também uma crítica ao “jornalismo” de celebridade, que incendeia e empola os sentimentos negativos de Henry. Adam Driver é sem dúvida perfeito neste papel, conseguindo provocar uma reação de ódio no espetador, sem inspirar uma réstia de simpatia pela sua personagem.

Annette veicula o génio louco de Leos Carax. No entanto, a insanidade do filme e os vários momentos nos quais a mensagem se torna confusa e difícil de interpretar poderão afastar muitos espetadores. A interligação dos momentos musicais e não musicais é um dos elementos mais criativos da longa-metragem, conjugando canções independentes, diálogos musicados e diálogo simples.

Annette foi apresentado no Festival de Cannes, onde recebeu dois prémios: Melhor Realizador (Leos Carax) e Melhor Compositor (Ron Mael e Russell Mael).

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