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Fábrica de conservas de Peniche com 300 dos 850 trabalhadores em quarentena

A dirigente sindical teme que os casos possam aumentar, alertando que a empresa está a contratar trabalhadores temporários, sem os sujeitar a testes.

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Lata atum sardinha
Foto: Pixabay

A fábrica de conservas ESIP de Peniche informou hoje que tem 300 trabalhadores em quarentena, devido aos dois casos confirmados de infeção entre os 850 funcionários, o que levou hoje o sindicato a exigir mais medidas de distanciamento.

“Atualmente, existem 300 funcionários em quarentena, dos quais 150 devem retornar ao trabalho até 08 de junho”, esclareceu à agência Lusa John Merva, diretor da comunicação para a Europa da multinacional tailandesa Thai Union, a que pertence a conserveira European Seafood Investiment Portugal (ESIP), no distrito de Leiria.

A diretora do Agrupamento de Centros de Saúde Oeste Norte, Ana Pisco, afirmou hoje à Lusa que “houve outro caso positivo” naquela empresa, já depois do primeiro detetado em 20 de maio.

Por esse motivo, as autoridades de saúde decidiram realizar mais testes naquela indústria do distrito de Leiria, abrangendo mais 190 trabalhadores, tendo sido testados até agora 390 dos 850 trabalhadores.

John Merva adiantou que a empresa já recebeu os resultados dos primeiros 50 trabalhadores testados, nesta segunda vaga de testes, e todos estão negativos, aguardando pelos restantes “até ao final da semana”.

Mariana Rocha, trabalhadora da fábrica e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB), demonstrou preocupação por “haver trabalhadores a trabalhar na fábrica a menos de um metro de distância”, ainda que usem máscara e adotem outras medidas de higienização e proteção.

Também nas salas de refeição, onde têm de tirar a máscara para se alimentarem, estão “a menos de um metro de distância por falta de espaço”.

A dirigente sindical, que teme que os casos possam aumentar nesta indústria conserveira, alertou também que a empresa está a contratar trabalhadores temporários, sem os sujeitar a teste, e que há falta de lavatórios para todos os trabalhadores, uma vez que, em alguns setores, a desinfeção com álcool gel não é suficiente para ficarem com as mãos limpas.

Confrontado pela Lusa sobre as críticas do sindicato, o diretor de comunicação para a Europa da Thai Union respondeu que, desde abril, foram criados quatro refeitórios, “reduzindo o número de trabalhadores em cada um e permitindo o distanciamento de um metro”.

As medidas, continuou, foram inspecionadas e aprovadas pelas autoridades em maio, antes de terem surgido os casos de infeção.

No âmbito do plano de contingência, a unidade “separou turnos e áreas”, o que permitiu confinar o eventual foco de contaminação apenas aos trabalhadores que “estiveram em contacto” com os infetados, por isso, os restantes não necessitam de estar em quarentena.

Na sequência do primeiro caso de infeção detetado em 20 de maio, numa primeira vaga, foram mandados para casa em quarentena e testados 200 trabalhadores, que acusaram negativo, divulgou na segunda-feira a mesma fonte da empresa.

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