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Autárquicas 2021

O PS tem “falta de planeamento estratégico a médio e longo prazo” – Luís Miguel Silva

“Eu não teria a coragem de ir para os jornais apertar a mão a um empresário que dá 80 mil euros para a habitação, mas que também tenta construir um aviário, sobre um dos maiores aquíferos de Leiria, sem projeto”, considera o candidato bloquista.

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Foto: Candidato bloquista Luís Miguel Silva / Facebook Luís Miguel

Luís Miguel Silva, de 31 anos, é o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de Leiria nas próximas eleições autárquicas.

Licenciado em Relações Públicas e Comunicação Empresarial, aponta a poluição ambiental como um dos maiores problemas de Leiria, mas concorda com a aposta na cultura do atual executivo.

Com “vontade de fazer diferente” e “meter as mãos na massa”, considera mais prioritário o investimento na Linha do Oeste, em detrimento da abertura à aviação civil da Base Aérea de Monte Real.

 

Notícias de Leiria: Quais os principais pontos negros na cidade de Leiria?

Luís Miguel Silva (BE): Há uma grande falta de planeamento estratégico a médio e longo prazo com medidas que possam aumentar a qualidade de vida das populações. Quer em termos ambientais, laborais, de mobilidade, culturais ou até mesmo na organização do território e a simbiose entre a cidade e a periferia.

A questão ambiental arrasta-se há mais de 50 anos e é uma das nossas prioridades para esta campanha. Estamos todos fartos de ser ludibriados pelo poder local e central, com medidas que ficam aquém e não oferecem solução para o problemas dos efluentes suinícolas, constantemente despejados no rio.

 

NL: Qual seria a solução para o problema ambiental?

Luís Miguel Silva (BE): O BE defende, já há muito tempo, a construção da Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ETES). Já foi estudada, já teve um projeto em cima da mesa, já houve nove milhões de fundos comunitários disponíveis para a sua construção. Mas o que assistimos é que a autarquia de Leiria, o poder central, a Associação de Suinicultores e até a Recilis empurraram o problema com a barriga.

Assim não podemos ficar. Sabemos que os suinicultores sentem-se injustiçados por ter de contribuir para tratar os dejetos e principalmente tendo em conta a sua localização, que poderá tornar mais onerosa a sua deslocação. Existem sempre mecanismos ao dispor da autarquia para tornar o sistema de pagamento mais justo. O que não é racional é deixar de construir a ETES devido a estas questões, estes pequenos pormenores.

Nós sempre defendemos a lógica do poluidor pagador. Quem lucra tem de pagar. Cada suinicultor teria sempre de pagar para o tratamento dos seus dejetos.

Além do problema ambiental, há quatro anos apresentámos diversas soluções para melhorar Leiria. Infelizmente vimos que o atual executivo preferiu não beber delas, mas avançando com algumas mas com a assinatura de outros partidos. 

Temos um problema gravíssimo de mobilidade em Leiria, por exemplo. A cidade está entregue a uma ótica de gestão dos transportes públicos, no privado, que gere sempre este tipo de situações com o objetivo de lucro. Lutamos por um serviço público com mais soluções de mobilidade às populações. Defendemos uma aposta não apenas no Mobilis, não só no centro da cidade. Temos de criar esta rede de interligação entre o centro da cidade e a periferia. Temos de aumentar a simbiose entre todos os players do nosso município. 

Temos um desperdício de água, em que a rede pública precisa de um grande investimento, levando a desperdício de água. A rede é demasiado antiga.

 

NL: Quais as vossas principais ideias para melhorar a vida dos leirienses?

Luís Miguel Silva (BE): Além da resolução do problema ambiental e da mobilidade, também defendemos o fecho definitivo da circulação automóvel no centro histórico de Leiria. As alterações climáticas estão aí e temos de agir já.

Queremos também que os terrenos da prisão escola, caso passem para a gestão do município, sejam usados para projetos de agricultura onde se possam estudar novas formas de exploração e organização das nossas matas, por exemplo. 

Na educação, somos contra os grandes centros escolares. Queremos que a escola pública seja encarada como uma questão de identidade dos lugares onde se inserem. 

Queremos um maior incentivo à criação de cultura e não, como se tem visto, ao apoio sempre aos mesmos.

Queremos um centro histórico que seja desenvolvido e apoiado de modo a acabar com a especulação do imobiliário. 

A aposta da Linha do Oeste é extremamente importante que está atualmente dependente do transporte rodoviário.

 

NL: Consegue apontar os principais pontos de convergência e divergência com este executivo?

Luís Miguel Silva (BE): A divergência tem a ver o modo como este executivo tem tratado a questão dos efluentes suinícolas.

Convergimos com a questão da cultura. Vemos este PS a utilizar a cultura como a sua principal bandeira. Mas há muito mais para além da cultura e os próprios investimentos que foram feitos também são questionáveis. Englobar obras no Castelo como cultura ou preservação de património… podemos discutir isto. A cultura em Leiria necessita da criação de cultura e de novos artistas. 

Por exemplo, não achamos aceitável, que em pleno século XXI, os trabalhadores do Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, trabalhem à sessão, alguns há mais de 20 anos.

 

NL: Realçou, numa entrevista, como um ponto positivo o facto de não ter experiência política. Porquê? 

Luís Miguel Silva (BE): Porque temos tido inúmeros exemplos de pessoas que tentam enriquecer usando a política. Esse sentimento de descrença e essa forma de estar na política não têm ajudado a uma boa imagem da política portuguesa. Sendo novo e tendo esta vontade de fazer diferente, sem influências externas, é uma mais valia.

Eu estou aqui para zelar e lutar pelos interesses dos leirienses. É isso que me move! Meter as mãos na massa. Eu não tenho problemas de reunir com quem quer que seja e apontar defeitos. 

Eu não teria a coragem de ir para os jornais apertar a mão a um empresário que dá 80 mil euros para a habitação, mas que também tenta construir um aviário, sobre um dos maiores aquíferos de Leiria, sem projeto.

 

NL: Estamos a falar da Lusiaves?

Luís Miguel Silva (BE): Sim, em 2019 iniciou a construção de um aviário, sem licença, no Picheleiro. Nós defendemos a solidariedade, mas que seja verdadeira, não mascarada de interesses. 

 

NL: O que seria um bom resultado no dia 26 de setembro?

Luís Miguel Silva (BE): Elegermos um vereador, aumentarmos a representação na Assembleia Municipal de Leiria e nas freguesias.

 

Perguntas rápidas:

NL: Abertura da Base Aérea de Monte Real à aviação civil?

Luís Miguel Silva (BE): Não. A Linha do Oeste merece um investimento sério e para ontem. 

 

NL: Concordam com mais ciclovias na cidade?

Luís Miguel Silva (BE): Sim, mas que sejam ciclovias que de facto sirvam os ciclistas e não para apenas ficar bem na fotografia. 

 

NL: Aumento da videovigilância na cidade de Leiria?

Luís Miguel Silva (BE): Não. Não se justifica uma medida destas tendo em conta os números de criminalidade que temos. 

 

NL: Recente requalificação e acessos mecânicos no Castelo de Leiria?

Luís Miguel Silva (BE): Foi um investimento que até se pode tornar importante, mas não era prioritário.  

 

NL: A suspensão da construção do Pavilhão Multiusos de Leiria?

Luís Miguel Silva (BE): Acreditamos que o pavilhão é necessário, que até já deveria ter sido realizado. Poderia ser até construído não no centro da cidades, mas numa freguesia próxima para desenvolver a periferia. 

 

Há nove candidatos na corrida à presidência da Câmara de Leiria, que se mantém socialista desde 2009, quando o PS conquistou a capital de distrito ao PSD e, desde então, sempre a aumentar a votação em eleições autárquicas.

As próximas eleições autárquicas vão-se realizar no dia 26 de setembro.

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