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Incêndios: Região de Leiria reforça vigilância com câmaras móveis e drones

Perante uma ocorrência, os militares ou os bombeiros poderão chegar a um determinado local “montar uma das câmaras e fazer a transmissão de dados”.

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Incêndio Fogo
Foto: Incêndio / Pixabay

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Os municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) reforçaram o sistema de videovigilância de incêndios, com mais duas câmaras móveis e dois drones, que apoiam as 11 câmaras fixas já existentes.

“É uma grande mais-valia no apoio à decisão quando se está no combate”, assumiu o comandante distrital de Leiria, Carlos Guerra, durante a apresentação do projeto, que decorreu esta terça-feira em Leiria.

Segundo explicou este responsável, o sistema de videovigilância já era composto por 11 câmaras fixas, com um alcance de 20 quilómetros, colocadas em diferentes pontos dos dez concelhos que integram a CIMRL – Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

“Foram agora feitos ‘updates’ no sistema, através de duas câmaras portáteis móveis. Uma instalada no veículo da GNR e no dos bombeiros, coordenado pela Autoridade Nacional de Emergência Proteção Civil”, adiantou Carlos Guerra.

Segundo o comandante, estas câmaras são transportadas por um destes veículos e colocadas numa zona que “potencie aquilo que não são as zonas visíveis do sistema fixo”.

Perante uma ocorrência, os militares ou os bombeiros poderão chegar a um determinado local “montar uma das câmaras e fazer a transmissão de dados, quer para o centro de comando da autoridade quer para as unidades de fiscalização da própria Guarda Nacional Republicana”.

Com uma rotação de 360 graus, a visibilidade de quem está num centro de operações aumenta, já que passa a ter “olhos” no local, o que permite dar mais detalhes para decidir como atacar o incêndio.

Estão ainda disponíveis dois drones, que serão pilotados por bombeiros e GNR, que receberam formação para o efeito. “As imagens captadas são transmitidas para os centros de comando, o que dá a possibilidade ao comandante das operações, a qualquer momento, ter a sua decisão mais assertiva sobre o que está a acontecer no teatro das operações”, acrescentou Carlos Guerra.

O próximo projeto passará por instalar câmaras nos helicópteros de combate a incêndios, que estão estacionados nos centros de meios aéreos de Porto de Mós, Figueiró dos Vinhos e Pombal, revelou o presidente da Câmara de Porto de Mós e responsável pela Proteção Civil na CIMRL, Jorge Vala.

A presidente do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), Helena Azevedo, considerou este “um dos projetos mais inovadores para a deteção dos incêndios na sua fase mais inicial”, salientando que quanto mais cedo se detetar o incêndio melhor será o combate.

Este equipamento contou com um investimento de cerca de 1,2 milhões de euros, tendo o apoio do POSEUR de 976 mil euros. “É um projeto muito completo e inovador e um instrumento diário de trabalho”, acrescentou.

Durante o evento foi apresentado o projeto de investigação “ResNetDetect – Deteção Automática de Incêndios Florestais Utilizando Redes Neuronais de Aprendizagem Residual”, associado ao Sistema de Videovigilância da Região de Leiria, que tem por base a solução técnica CICLOPE, uma iniciativa financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, e que visa o desenvolvimento de um sistema de deteção automática precoce de incêndios florestais utilizando redes neuronais de aprendizagem residual.

“A ciência veio ajudar-nos e muito. Já não estou a decidir sobre uma carta militar 1:25000, às vezes desatualizada, mas sobre uma imagem real. Obrigada à ciência por este ‘update’ que conseguiram fazer”, sublinhou Carlos Guerra.

O presidente da CIMRL, Gonçalo Lopes, alertou para as alterações climáticas e a sua consequência na região. “Sofremos na pele essas alterações. Se há região com evidência dessas alterações é aqui”, afirmou, ao realçar a importância destes equipamentos.

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