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Leiria prevê aumento da despesa de eletricidade de quatro para nove milhões

O aumento da fatura da eletricidade já tinha começado antes da guerra na Ucrânia, resultante da crise pandémica e da inflação.

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Lâmpada Luz
Foto: Lâmpada / Pixabay

O presidente da Câmara de Leiria estimou hoje um aumento da despesa de eletricidade de quatro para nove milhões de euros este ano e anunciou que a iluminação pública vai ser ligada mais tarde e desligada mais cedo.

“O período de funcionamento da iluminação pública vai ser reduzido. Vamos desligar mais cedo e vamos ligar mais tarde”, explicou aos jornalistas Gonçalo Lopes, depois da reunião do executivo municipal, onde o assunto foi abordado.

Gonçalo Lopes referiu que podem ser minutos, mas “convertidos em poupanças significativas”.


Menos luzes acessas

“Por outro lado, vamos fazer uma redução de luminárias acesas”, declarou, esclarecendo que a percentagem ainda está a ser estudada, sendo que o critério “terá de ser preparado com as Juntas de Freguesia”.

O autarca garantiu que, no caso da iluminação pública, está salvaguardada a questão da segurança.

“São horários que têm consequência naquilo que é a circulação das pessoas, seja em modo pedonal, seja em viaturas”, reconheceu, assegurando que o município vai ter “em atenção nas zonas mais habitacionais que este desligar de luzes não seja tão intenso como nos sítios onde há menos circulação de pessoas e de viaturas”.

O presidente da Câmara acrescentou que a medida de poupança energética vai abranger equipamentos e edifícios municipais.

“Da despesa que temos com eletricidade, um terço é referente a consumos próprios internos, muito associados àquilo que são as nossas infraestruturas e edifícios”, notou, exemplificando com piscinas, estádio ou escolas.

Neste caso, “não é tão rápido como o caso da iluminação pública”, mas também serão tomadas “medidas nessa área”, afiançou.

“Há também um incentivo à substituição de luminárias (..) e investimento na área da eficiência energética, mas cujo impacto demora muito mais tempo do que estas medidas táticas e de curto prazo que estamos a preparar”, disse.


Este ano, o orçamento da Câmara de Leiria é de 133,8 milhões de euros

Sobre o aumento da fatura da eletricidade, o autarca adiantou que antes de ter começado a guerra na Ucrânia já havia este aumento, “resultante daquilo que era a crise pandémica e a crise da inflação”.

“Agora, com a crise económica que resulta da guerra, a tendência é para ainda ser mais assustador o aumento do custo da eletricidade”, declarou, admitindo que “se está a refletir “numa primeira instância nos combustíveis, no gás natural e, naturalmente, na eletricidade”.

Segundo Gonçalo Lopes, a Câmara não pode “adiar decisões, uma vez que os preços estão a subir diariamente”.

“Iremos ser muito rápidos a tomá-la [decisão]. Na próxima semana já iremos fazer essas alterações”, assegurou.

A Comissão Europeia avançou hoje com orientações aos Estados-membros para responder à escalada dos preços energéticos, explicando que os países podem intervir nas tarifas da luz perante “circunstâncias excecionais” e admitindo limites temporários na União Europeia (UE).

A comunicação da Comissão Europeia surge numa altura de aceso confronto armado na Ucrânia provocado pela invasão russa, tensões geopolíticas essas que têm vindo a afetar o mercado energético europeu já que a UE importa 90% do gás que consome, sendo a Rússia responsável por cerca de 45% dessas importações, em níveis variáveis entre os Estados-membros.

A Rússia é também responsável por cerca de 25% das importações de petróleo e 45% das importações de carvão da UE.

Ainda assim, já antes da guerra da Ucrânia se assistia a uma escalada do preço da eletricidade e a fortes subidas no mercado do gás.

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