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Leiria tem tudo, menos liderança

“Não porque Leiria não tenha qualidade de vida, mas sim porque Leiria não se tem conseguido ‘vender’, não tem conseguido mostrar que é sexy, para atrair os melhores”.

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Opinião Notícias de Leiria

A região de Leiria é sinónimo de futuro, inovação, empreendedorismo e resiliência. Olhamos para Leira e vemos uma região competitiva, que entre 2011 e 2018 duplicou o volume de exportações e em que a percentagem de empresas que são consideradas competitivas é de 62%, aos invés da média nacional fixada em 40%; uma região empregadora, onde o desemprego se tem fixado abaixo da média nacional, contribuindo para isso as taxas de empregabilidade dos alunos que se formam no Instituto Politécnico de Leiria, que superam os 90%; uma região de excelência, assumindo uma posição cimeira no ranking dos distritos com mais PME’s – Excelência; uma região criadora de riqueza, contribuindo positiva e significativamente para o PIB nacional.

Leiria tem o tal espírito empreendedor que lhe é associado, seja pela existência de muitos micro, pequenos e médios empresários que aqui desenvolvem a sua atividade, seja pela riqueza gerada pelos muitos emigrantes que ao longo de décadas procuraram novas oportunidades no exterior, mas nunca esqueceram a sua terra natal, seja pelo sucesso dos seus agricultores, trabalhadores fabris, pescadores, profissionais liberais, agentes culturais e agentes desportivos, estes últimos que nos anos mais recentes se têm destacado nos desportos de ondas (com natural destaque para o Surf).

Mas…

Mas, Leiria tem tido ao longo dos anos uma enorme incapacidade de exigir para si a importância e o relevo que o país, merecidamente, lhe devia atribuir. Isso é evidente tanto no que respeita à iniciativa privada como à iniciativa pública.

Dispondo a região de Leiria de empresas que são, em muitos casos, do melhor que existe no país e até no mundo, não deixa de ser preocupante que os nossos melhores quadros técnicos, como os jovens que saem das faculdades, optem por se fixar na região de Lisboa, na região do Porto, ou até mesmo na região de Aveiro ou de Braga. Não porque Leiria não tenha oportunidades, não porque Leiria não tenha qualidade de vida, mas sim porque Leiria não se tem conseguido “vender”, não tem conseguido mostrar que é sexy, para atrair os melhores.

Essa ausência de liderança é ainda mais gritante no que respeita às decisões de índole pública: o aeroporto de Monte Real, a linha do Oeste, o nó de ligação à A1 no Barracão, o IC2 e IC8… É de uma tremenda hipocrisia andarmos todos preocupados com os problemas ambientais globais e não sermos capazes de resolver a nojice que temos à porta de casa! Refiro-me, obviamente, ao problema da poluição da bacia hidrográfica do rio Lis, causada pelas descargas de efluentes provenientes de explorações suinícolas.

Não tenho a solução mágica para resolver todos estes problemas num estalar de dedos, mas desconfio que esta necessidade de afirmação de Leiria se mitigará com medidas mais imateriais do que materiais, ou seja, com mais diplomacia política, económica e académica. Sei também que independentemente da região de Leiria contar com vários municípios que contribuem para toda esta riqueza e potencialidade subaproveitadas, uma estratégia de afirmação de toda esta região tem de começar numa liderança forte da sua capital de distrito, no Município e na cidade de Leiria, que tem a obrigação e a capacidade de fazer muito mais do que aquilo que tem feito nos últimos anos.

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O Notícias de Leiria convidou todos os partidos representados na Assembleia da República para a publicação de um artigo de opinião, da inteira responsabilidade do seu autor.

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