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Portas e sacas fechadas… Bolinho em Leiria deverá ser tímido devido à pandemia

“A ideia era ir este ano pela primeira vez pedir o bolinho com o meu filho, mas não vou por precaução, devido à situação”, desabafou Helena Garcia mãe de um filho de cinco anos.

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Judite Silva
Foto: Judite Silva / NL

O Dia do Bolinho, tradicionalmente celebrado a 1 de novembro, feriado “Dia de Todos os Santos,” está este ano condicionado devido à pandemia da covid-19. Na última semana de outubro, o Notícias de Leiria andou pela cidade a perguntar aos leirienses como vão assinalar a data.

“Está tudo estragado.” Rápida e assertiva na resposta, Judite Silva, de 63 anos, reformada, natural de Leiria, desabafou ao Notícias de Leiria que “não se pode sair do concelho. Só às vezes dou bolinho. Quando posso dou, mas este ano não vou dar devido à pandemia. O governo não dá aumento aos reformados, só prometem, mas não dão nada,” lembrou ainda a leiriense, sobre os problemas sociais que vivemos.

“É a trabalhar aqui. Se houver gente na rua, venho para aqui trabalhar.” Disse ao lado de Judite, a “Sra das Castanhas,” como diz ser conhecida em Leiria, Maria de Jesus Santos, de 68 anos, há 51 a assar castanhas para vender.

Maria de Jesus Assadora de Castanhas Foto: Maria de Jesus, assadora de castanhas em Leiria / NL

Junto à entrada da avenida Heróis de Angola e do Largo do Papa, a “Sra das Castanhas” afirmou também que não tem o “hábito de assinalar o dia do bolinho, é um dia como os outros.”

“Não vamos abrir. A entidade patronal decidiu não abrir. Temos em primeiro lugar consideração pela situação que vivemos,” avançou Claúdia Santos, 42 anos, de Leiria, responsável de uma loja de moda no centro da cidade.

“Há medo e desconfiança no contacto com as pessoas, e também em casa este ano não vou dar bolinho,” lamentou Claúdia, que falou com o Notícias de Leiria, a atender ao balcão. Ali perto, também por de trás de um balcão de um bar na Praça Rodrigues Lobo, um funcionário afirmou que o bar vai estar aberto, mas não vai ter nenhuma festa temática alusiva à época. “Isto este ano é assinalado de forma tímida. Lá em casa, este ano não vou dar bolinho, vou estar a trabalhar,” avançou o barman.

“Não quero falar sobre isso. Estou tão triste que nem me dá vontade de falar sobre o assunto. Em casa tenho sempre a porta aberta para dar bolinho, mas este ano vai estar fechada,” lamentou Daniel Neto, de 40 anos, a servir ao balcão, num dos cafés, junto ao Parque do Avião, em Leiria.

Já no sábado, o Notícias de Leiria falou com Helena Garcia, de Leiria, a passear com o filho de cinco anos, no Jardim da Almuinha Grande. “A ideia era ir este ano pela primeira vez pedir o bolinho com o meu filho, mas não vou por precaução, devido à situação. Na creche que ele frequenta houve uma pequena festa, mas não vou sair de casa,” referiu Helena Garcia.

“É desaconselhável. Este ano não assinalo por precaução. Tenho um filho de 14 anos.” Ainda no jardim, Helena Duarte de 48 anos, de Leiria, desempregada, contou-nos que quando o filho era mais novo ia “pedir o bolinho,” mas perto de casa.

“Naquele tempo já tinha medo que ele se juntasse a outros miúdos desconhecidos. Agora já não vai, também há medo, mas este ano é da covid-19,” lamentou Helena Duarte.

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