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Produtora acusa Pároco de Alcobaça de censurar espetáculo

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Foto: Interior Mosteiro de Alcobaça
Foto: Interior Mosteiro de Alcobaça / DR

A Kind of Black Box, produtora de “Pedro, o Cru” que estreou esta quinta-feira no Mosteiro de Alcobaça, acusa o pároco local de censura ao texto de António Patrício, que considerou desadequado à santidade do local.

Numa nota de repúdio enviada às redações, a Kind of Black Box denuncia a “tentativa de censura do texto” por parte do pároco de Alcobaça, Ricardo Cristóvão, aquando do “pedido de anuência para utilização do espaço em torno do túmulo de D. Inês de Castro”, no Mosteiro de Santa Maria, onde hoje estreia o espetáculo “Pedro, o Cru”.

O espetáculo, integrado nas celebrações do Dia de Portugal, conta a lenda da trasladação do corpo de D. Inês de Castro, de Coimbra para o Mosteiro de Alcobaça, com base na obra de António Patrício, uma versão centrada na obsessão de D. Pedro pela vingança dos assassinos da sua amada e pela crueldade da coroação da mesma.

Segundo a produtora Kind of Black Box, em causa está “o monólogo final que António Patrício escreveu para ser dito por D. Pedro junto do túmulo de sua amada” e que, “por opção artística e de forma a respeitar a santidade do espaço”, o encenador Tobias Monteiro optou por apresentar “através de áudio guias, proporcionando uma maior aproximação e intimidade com a sublime declaração de amor entre os dois históricos amantes”, sendo a visita à igreja e ao túmulo “feita em silêncio”.

Uma proposta a que a Kind of Black Box diz não ter sido aceite pelo padre, citando no comunicado a resposta enviada pelo pároco: “O texto, de autor republicano liberal, não está adequado ao caráter sagrado do local, nomeadamente porque não serve para exercer ou promover o culto, a piedade e a religião”.

Ainda segundo a produtora, o padre considerou também que o texto “veicula ideologias e conceções pagãs, não adequadas à santidade local”, recordando que naquela cidade, “e em resultado das medidas do governo republicano liberal de que António Patrício foi membro, foram destruídos três templos cristãos incluindo a igreja paroquial”.

O padre terá ainda pedido que os artistas “sejam sensível ao sentimento dos cristãos”, acrescenta a Kind of Black Box.

No comunicado, a produtora defende que “o ato de censura identificado nesta tomada de posição não deve ser tolerado por cidadãos livres e agentes culturais, independentemente da sua fé sob a governação de um estado laico”, considerando ter “o dever cívico de alertar a comunidade para este facto e evitar que o mesmo se repita”.

“Passados 112 anos da Implantação da República, 221 anos do fim da Inquisição em Portugal e quase meio século do fim da ditadura, atentados à liberdade de expressão, individual e artística, não são aceitáveis”, salienta a produtora, lamentando não ter sido possível encontrar uma solução junto da paróquia, que terá até “apresentando ainda uma proposta de revisão do texto para que se retirassem algumas frases”.

Rejeitando “qualquer tipo de desrespeito à liberdade de expressão e artística”, o encenador apresentará o texto na íntegra, “alterando o percurso de apresentação do mesmo de modo a não interferir com a vontade manifestada pelo pároco de Alcobaça”, lê-se no comunicado da produtora.

A agência Lusa tentou, sem sucesso, contactar o padre Ricardo Cristóvão.

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