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Reportagem: Calma de outubro marca vida na baixa de Leiria

Ana Filipa, estudante de Leiria, a olhar para o Jardim Luís de Camões afirma que “as árvores estão mais bonitas, ao anoitecer.”

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Outono-Leiria
Foto: Rio Lis / Pedro Carvalheiro

Ainda com o outono no início, na primeira semana de outubro, o Notícias de Leiria andou pelo centro da cidade, junto às margens do Lis e nos parques, e perguntou aos transeuntes o que mais gostam nesta época do ano na sua cidade.

Ana Filipa“Gosto do ambiente, porque escurece mais cedo, e a chegada do frio que vem a seguir ao tempo quente.” Sentado com a namorada num dos muros do Marachão, um jovem foi elucidativo sobre o que sente no outono na sua cidade. Já para a namorada, Ana Filipa, estudante de Leiria, a olhar para o Jardim Luís de Camões, afirma que “as árvores estão mais bonitas, ao anoitecer.”

“Vim ao parque passear o cão, agora que tenho cão,” desabafou Fabiana Costa, de 28 anos de Leiria, tatuadora. Após alguns segundos de silêncio, surpreendida com a pergunta, na tarde de sol, agora mais abaixo, a passear no Jardim da Almuinha Grande, Fabiana aceitou ser fotografada, com a amiga, para o Notícias de Leiria.

Fabiana Costa

 

Almuinha Grande é escolha de Igreja

“O tom das folhas das árvores e o clima agradável” disse Janaína Machado, de 37 anos, assistente financeira, natural da Brasil, a viver há dois anos em Leiria. Esposa do Pastor Marlon Machado, da Igreja Verbo da Vida, Janaína, esperava com Marlon, e duas companheiras, todos sentados no pequeno anfiteatro de três degraus construído no jardim, por um piquenique com jovens, ali junto às margens do rio, ao fim da tarde de sábado, organizado pela Igreja Verbo da Vida.

Igreja Verbo“É o segundo outono que passo em Leiria. O clima aqui é agradável,” sublinha a assistente financeira. Já no fim da pequena entrevista, acedemos ainda de uma também pequena bênção, concedida por Marlon, o pastor da Igreja sediada em Leiria.

“A queda das folhas das árvores nos jardins” afirmou Guilherme Silva, 62 anos, de Leiria. No mesmo local, na tarde de sábado, houve ainda tempo para ouvir um outro homem que passeava pelo parque.


Sem abrigos lamentam-se da vida na rua

“Está tudo descontrolado. O inverno é verão e o verão é inverno. As estações estão trocadas” desabafou Paulo Lourenço de 43 anos, desempregado, natural de Lisboa, a viver em Leiria.

Sem abrigo

Ao lado da companheira, Emília Silva, de 63 anos reformada, também a viver em Leiria, há 48 anos, e natural das Caldas da Rainha, neste domingo ao anoitecer, o Notícias de Leiria encontrou os dois sem abrigo sentados num dos bancos de pedra no Largo Papa Paulo VI perto da entrada da Rodoviária. “Há muitas pessoas a viver na rua. Deviam de olhar mais pelos sem abrigo”.

“A Câmara de Leiria não nos liga nenhuma. Dormimos por aí, nas casas abandonadas. A câmara tem mais de 160 casas abandonadas, mas nós não conseguimos pagar a renda,” desabafa Emília Silva.

Mais emotivo, Paulo Lourenço não hesitou em dizer que “eles têm tudo. Os estrangeiros têm ajuda, nós não. Os brasileiros, ucranianos ou romenos”, lamentou o sem abrigo.

Também o rio Lis ganha uma nova beleza, e espelha com a luz solar nesta época, e ouvem-se desabafos sobre o clima, problemas sociais, ou até falar de religião, à luz de um sol mais baixo nesta época do ano. Caminhar, passear o cão, pescar, namorar ou apenas apreciar a paisagem, nos jardins, parques ou as margens do Lis, em outubro, numa calma, que leva, na maioria dos contactados, apenas a lembrar o sol, a chegada do frio e as folhas que caiem, ou apenas a ficar sem resposta.

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