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Cultura

Reportagem: “É na diversidade que está a literatura” – José Rodrigues dos Santos

Para José Rodrigues dos Santos, “o Crime do Padre Amaro, que foi escrito em Leiria, é o melhor romance português”.

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Feira do Livro Leiria 2021
Foto: Feira do Livro de Leiria com escritor José Rodrigues dos Santos / NL

“Lemos livros para acedermos à verdade,” disse José Rodrigues dos Santos, conhecido apresentador do telejornal, às cerca de meia centena de pessoas que ocuparam as cadeiras no interior do Mercado Santana Centro Cultural, em Leiria, na tarde de domingo, dia 27 de junho, na Feira do Livro de Leiria, este ano dedicada à ciência.

“Se um escritor não quer ser lido, não publique. O objetivo do livro é ter leitores,” disse o mediático escritor no início da intervenção. “Vive-se com base em mitos. Cada um tem a sua opinião, são todas diferentes e todas têm que ser respeitadas, e não há uma melhor que a outra,” referiu o convidado especial.

“O Crime do Padre Amaro é o melhor romance português”

“Se um livro é lido, é porque está bem escrito. A forma como se escreve um livro é muito importante. É o conteúdo o mais importante.” Para o apresentador, “é a verdade profunda que faz uma obra universal.”

“O Crime do Padre Amaro, que foi escrito em Leiria, é o melhor romance português, por referir que pessoas do clero tinham amantes e filhos, e desvenda uma verdade até aí escondida.

É a verdade que faz a diferença. Eça de Queirós é o meu escritor preferido em Portugal e o Paulo Coelho é o escritor de língua portuguesa que mais vende, com 30 milhões livros vendidos.

Feira do Livro Leiria 2021 Foto: Escritor e jornalista José Rodrigues dos Santos / NL

Todos os romances têm um tema filosófico,” avançou José Rodrigues dos Santos. “As pessoas não leem porque criou-se uma leitura ilegível. O Livro tem de contar verdades profundas. Ou nos focamos em compreender o mundo e a nós próprios.

Para o jornalista escritor “A Bíblia é um conjunto de histórias e o princípio da literatura. Contar histórias é da natureza humana. Um escritor é um contador de histórias. Quando escrevo uma página e o leitor não entende o que lá está, a culpa é minha, eu é que sou o burro,” lembrou.

“Os textos têm que ser fáceis de entender. As pessoas que gostam de livros são sempre inteligentes e cultas. É na diversidade que está a literatura. Essa é a missão dos livros. A escrita tem que ser clara e objetiva,” avisou o escritor.

“A leitura tem que me dar prazer. Quando leio um romance com prazer, paro de ler para prolongar o prazer da leitura” desabafou.

“A arte não pode ser bonita se o mundo é feio”

“O trabalho da arte é dizer o indizível.” Para o jornalista, que começou a carreira em Macau, “pessoas normais fazem coisas invisíveis, porque acreditam que estão a fazer o bem. A primeira condição para fazer o mal é acreditarmos que estamos a fazer o bem.

“Não gosto de vender banha da cobra. A sociedade está cheia de mitos. Não gosto de vender banha da cobra e digo coisas inconcretas para que as pessoas pensem,” referiu.

“A arte não pode ser bonita se o mundo é feio. O escritor, o pintor ou o músico tem de ter diversidade e retratar o mundo tal como ele é” sublinhou.

“Não aceitem de mão dada tudo o que é dado. O pensamento sempre restrito é mau. Atuamos por preconceitos porque é um mecanismo humano.” Rodrigues dos Santos explicou também que, se não fosse preconceito que um leão come pessoas, ele entraria aqui e podia-nos comer a todos, se não fugisse-mos. “O preconceito ajuda-nos a perceber o mundo” explicou.

“É com os melhores que se aprende”

“A escola fornece apenas o básico. O que faz é a riqueza e o conhecimento. O saber fazer, é a riqueza. Os franceses têm os perfumes, os alemães fazem os carros e os árabes têm o petróleo. Se deixarem de saber fazer isso, passam a ser pobres.”

Já ao final da tarde, na intervenção que durou uma hora e meia, Rodrigues dos Santos, ainda referiu que “na sociedade a educação é o mais importante”.

“Vendi o apartamento que o meu pai me deixou após o divórcio, dividi o dinheiro com o meu irmão e fui estudar para a Inglaterra ao pé dos melhores. É com os melhores que se aprende” defendeu o
escritor.

Feira do Livro Foto: A Feira do Livro de Leiria 2021 terminou este domingo / NL

“A melhor ideia que tive, além de ter casado foi também ter ido estudar para a Inglaterra,” respondeu sorridente, a uma das perguntas vindas do público.

“Não lamentar, não criticar, não julgar. Quanto mais julgamos menos compreendemos e quanto menos compreendemos menos julgamos. Se vivermos na mentira não conseguimos enfrentar o mundo” disse o escritor, já nas considerações finais, depois de referir como exemplo o seu romance “Anjo Branco.” “As pessoas reviram-se no livro, e essa é a missão do escritor,” explicou.

“O objetivo é promover a leitura”

“A Feira do Livro de Leiria já passou pelo Jardim Luís de Camões, Praça Rodrigues Lobo e Biblioteca Municipal. Comigo é a 6ª edição. O objetivo é promover a Leitura”, avançou Anabela Graça, vereadora com o pelouro da Cultura da Câmara de Leiria, ao Notícias de Leiria, junto à banca, e à mesma hora em que uma fila de crianças esperava que o escritor Nuno Caravela autografasse o livro “O Bando das Cavernas.”

Ali perto, da livraria de Leiria, Letras e Livros, Joaquim Lopes, de 55 anos, disse ao Notícias de Leiria que veio a todas edições, e que o que o leitor mais procura são os livros infanto juvenis.

Ainda segundo a Vereadora da Cultura, a organização e programação do evento conta também com a parceria da editora Gradiva, e o apoio da ACILIS (Associação Comercial e Industrial de Leiria).

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