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Sociedade

Reportagem: “Este ano não vivemos, passámos por ele”

Nas ruas há enfeites da época, ouve-se o desejo de feliz Natal pelos transeuntes e nas lojas e restaurantes, aqui e ali, umas com clientes e outras de porta fechada.

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Manuel Ferreira Ginginha
Foto: Manuel Ferreira, dono da mercearia e garrafeira Ferreira / NL

O Natal é por tradição tempo de partilha. Com 2020 a chegar ao fim, esta quarta feira, a dois dias da noite da consoada, o Notícias de Leiria passou pela zona histórica de Leiria e ouviu os comerciantes falar sobre prendas, o negócio e desejos para o próximo ano.

“Oferecer? A quem?” A trabalhar nas solas e cabedais, Amadeu Camponês, do Arrabal, abordado sobre o que vai oferecer no Natal, respondeu assim ao Notícias de Leiria.

Amadeu Camponês Foto: Amadeu Camponês / NL

Para 2021 o desejo é “que isto recupere tudo, e para todos.” “Uma graxa, uma tinta, uma fivela ou um cinto e artigos para os sapateiros é o que as pessoas aqui procuram. Este ano tive quebras de 50%.” De viseira na cara, por de trás do balcão protegido por um acrílico transparente, com voz calma e jeito acessível, o homem já na casa dos setenta, a trabalhar na pequena loja numa das travessas da Rua Direita em Leiria, do lado do Castelo, lembrou também que trabalhou 40 anos numa fábrica, antes desta atividade que exerce já depois dos 60.

“Apesar da pandemia num ano difícil, este ano abriram aqui perto mais duas lojas”, frisou Amadeu Camponês.

“Ofereço aos clientes um copinho de ginja. Trabalhamos muito com o emigrante, mas o emigrante não veio.” Pouco antes, do outro lado da rua, numa das travessas que dá para a Praça Rodrigues Lobo, perto da saída do largo do Terreiro, falamos com Manuel Ferreira, leiriense, de 83 anos. “O declive do negócio é isso. Isto tem vindo a cair há uns tempos para cá, já antes da pandemia. Uns já partiram e outros não vieram”, lamentou sobre a emigração.

Manuel Ferreira Ginginha Foto: Manuel Ferreira / NL

“Pró ano desejo saúde.” Com a mercearia e garrafeira Ferreira, aberta desde 1966, o Sr. Ferreira, lembrou que as pessoas procuram para oferecer é mais garrafaria. Antigamente as casas ofereciam-nos coisas e nós oferecíamos aos clientes, mas deixámo-nos disso. “Isso acabou”, sublinhou. “Aos familiares e mais próximos ainda não sei o que vou oferecer. Aos clientes, um por outro, se quiser bebe um copinho de ginja.”

“Estou à espera de um presente.” Há um ano a viver em Leiria, a romena Cecília Dutu, de 45 anos, a falar inglês afirmou que “ofereço presentes aos meus filhos e marido.” Desde fevereiro com a loja perto da saída da rua Barão de Viamonte, já com a Sé em pano de fundo, a romena, referiu que os clientes procuram mais são as bolsas personalizadas.

Para 2021 Cecília desejou que a pandemia passe para todos. “Que isto termine. Que a Covid acabe. O fim do confinamento e da quarentena, acho que é o que toda a gente deseja. A minha loja é para os turistas. Não há turistas, não vendo.”

Sobre Leiria, Cecília destaca o clima. “Gosto do tempo daqui, é melhor do que na Roménia.”

“Ainda não pensei no que vou oferecer. Isto está pró complicado, mas talvez ofereça há última da hora à sobrinha e à filha.” Do outro lado da rua, junto ao Centro Cívico Eça de Queirós, sentada num canto em cima de um estrado de madeira, a vender colares e perfumes, Rita Carreira, 44 anos de Amor, para 2021 desejou melhorar económica, pessoal e profissionalmente.

Café Colonial Foto: Fachada do Café Colonial / NL

“Este ano não ofereço nada, nem aqui, nem pessoalmente. Este ano é atípico.” A explorar o antigo café Colonial, na rua nas traseiras do Centro Comercial D. Dinis, Daniele Bastos, 32 anos, brasileira e há seis anos em Leiria, disse ao Notícias de Leiria que “tivemos quebras de 80%. As pessoas estão retraídas a gastar dinheiro. Que o vírus vá embora, já fez o que tinha de fazer, este ano não vivemos, passámos por ele”, desejou Daniele.

Na tarde com algum sol e apesar do estado de emergência, estabelecido pelo governo devido à pandemia, num dia de semana e durante a hora de expediente, a baixa da cidade, e o comércio local apresentavam algum movimento.

 

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Sou o Pedro Carvalheiro, natural de Leiria. Gosto de escrever e fotografar. Sou licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia pela Escola Superior de Educação e Ciencias Socias de Leiria, terminado em 2015. No ano seguinte especializei-me em Comunicação Acessível.

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