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Seca: Impacto “até é positivo” para o Vale do Lis – associação de regantes

A Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis tem 3.686 associados. Compreende uma área de dois mil hectares divididos por 11 mil parcelas, desde os arredores de Leiria até à Vieira de Leiria, no concelho da Marinha Grande.

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Foto: Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis


O administrador-delegado da Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis disse hoje que o impacto da seca “até é positivo” para esta região, mas expressou “muito receio” com as consequências na época estival.

“Para já, o impacto até é positivo, porque uma das componentes fortes no perímetro hidroagrícola do Vale do Lis é a drenagem. Quer isto dizer que, numa altura normal, se estivesse a chover, nós estaríamos a gastar agora dinheiro com drenagem, ou seja, enxugar os campos para eles poderem estar sem ter água depositada”, afirmou à agência Lusa Henrique Damásio.

Segundo Henrique Damásio, “numa altura em que todo o país já sente alguns efeitos da seca”, a associação ainda não o sente, admitindo, contudo, ter “muito receio da época estival que, entretanto, virá”.

“Nós não temos nenhuns reservatórios, barragens ou outra coisa qualquer para nos fazer o represamento dessa água da chuva. Tudo aquilo que nós fazemos é, nalgumas alturas do ano, represamos o rio Lis e captamos a água do rio Lis para a rega”, esclareceu.

O administrador-delegado alertou que “o que pode vir a acontecer é uma diminuição do caudal” a partir de março e “aí ter de haver contingência na rega das culturas durante a época em que elas precisam”, com consequências para a produção, que diminui, e nalguns casos até a inviabiliza.

Sem dúvida de que esta situação terá, também, consequências para o consumidor final, Henrique Damásio observou: “Nós já não somos autossuficientes nos bens alimentares que produzimos, mas se o nosso grau de autossuficiência ainda diminuir mais, claro que vai ter impacto na prateleira do supermercado”.

“O não chover irá, com certeza, trazer alguns dissabores na época estival, mas por agora o impacto é até positivo”, reiterou.

Reconhecendo que a região está, de “certo modo”, em contraciclo face a outras zonas do país nesta matéria, Henrique Damásio destacou a problemática que se prende com as áreas impermeabilizadas à volta deste perímetro hidroagrícola.

De acordo com este responsável, todas essas áreas estão a drenar erradamente para dentro do perímetro hidroagrícola do Vale do Lis, o que depois obriga as taxas pagas pelos agricultores a serem utilizadas para custear a bombagem da água da “chamada pressão urbanística”, adiantando que esta é uma situação que se está a tentar resolver com as Câmaras da região.

“Estamos a drenar água de pontos altos de áreas impermeabilizadas para campos agrícolas e muitas vezes depois elas têm que ser bombadas desses campos agrícolas para o rio Lis, para serem encaminhadas ao mar, e isso tem um dispêndio de energia muito grande”, salientou.

Quanto ao investimento no perímetro do Vale do Lis, explicou que está em curso o Plano Nacional de Regadios (PNR), iniciativa do Governo, que prevê a reconversão dos regadios do sistema tradicional “para um sistema em que se utiliza muito menos água, em que há muito menos desperdício de água e que é preciso menos água envolvida”, o que está de acordo com estas questões “de mais tempo sem chover”.

Este perímetro tem já “dois blocos em reconversão” e no PNR até 2030 está prevista a intervenção nos restantes cinco blocos, totalizando os dois mil hectares, declarou Henrique Damásio.

“Estamos a falar numa obra que só na intervenção que está a ser feita agora nestes dois blocos atira para valores em torno dos 15 milhões de euros. Portanto, são obras com o limiar de durarem pelo menos 50 anos – esta que estamos a utilizar agora vai fazer 75 para o ano que vem. São obras caras, mas completamente imprescindíveis e essenciais”, acrescentou Henrique Damásio.

A Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis tem 3.686 associados, compreende uma área de dois mil hectares divididos por 11 mil parcelas, desde os arredores de Leiria até à Vieira de Leiria, no concelho da Marinha Grande. As culturas preponderantes são o milho e as hortícolas.

Segundo o Boletim Climatológico de 2021, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, em Portugal continental esse ano “classificou-se como quente e seco”.

Já o boletim relativo a dezembro de 2021 refere que no final do mês “94% do território estava em situação de seca meteorológica”, tendo-se verificado “uma ligeira diminuição da percentagem do território na classe de seca severa e um aumento na classe de seca moderada”.

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