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Testemunhas dizem ao tribunal de Leiria que investiram à espera de “alta rentabilidade”

O arguido elaborou um esquema fraudulento, de estrutura piramidal, para captar e apropriar-se de fundos alheios.

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Tribunal de Leiria
Foto: Tribunal de Leiria / NL

Diversas testemunhas afirmaram hoje ao Tribunal de Leiria, no arranque do julgamento de três arguidos acusados do crime de branqueamento de capitais na sequência de um esquema piramidal, que investiram à espera da “alta rentabilidade” que lhes foi prometida.

Várias testemunhas ouvidas hoje pelo coletivo de juízes adiantaram que depositaram quantias de dinheiro numa conta ou numa plataforma de apostas, depois de lhes terem prometido “alta rentabilidade”, com juros variáveis.

O Tribunal de Leiria começou hoje a julgar três arguidos entre os 32 e 51 anos, acusados, em coautoria, do crime de branqueamento de capitais na sequência de um esquema piramidal que lesou dezenas de pessoas.

Um dos arguidos, empresário residente em Leiria, responde ainda pelos crimes de burla qualificada e crime de atividade ilícita de receção de depósitos e outros fundos reembolsáveis.

Um dos acusados esteve ausente, pelo que o juiz presidente ordenou que o mesmo fosse julgado em processo à parte.

“Não se pode ficar sempre à espera e, tendo em conta o interesse dos diversos atendidos, determina-se a separação do processo em relação ao arguido”, justificou o juiz presidente do coletivo.

Os dois arguidos presentes recusaram prestar declarações.

As testemunhas, a maioria de Rio Maior, explicaram que o “senhor Aristides” – não arguido no processo, lhes falou num investimento com a garantia de receberem uma “percentagem de juros por mês”.

“Sei que teria a ver com apostas desportivas em alguns países. Fiz um depósito de 7.500 euros numa conta indicada pelo senhor Aristides. Não tenho ideia de quanto recebi, mas quando os pagamentos começaram a atrasar pedi a devolução do dinheiro, o que não aconteceu”, adiantou uma das visadas.

Outra testemunha também refere que foi o “senhor Aristides” que lhe falou em investir em apostas, com “isenção de impostos nos juros que seriam recebidos”.

“Prometeu que tinha uma taxa de juro fantástica, 8% por mês. Fiz depósitos numa conta, num total de dez mil euros. Recebi apenas uma vez 800 e tal euros”, adiantou.

Outras declarações referiram investimentos diretamente na plataforma, sem retorno.

O juiz presidente questionou as várias testemunhas sobre o facto de estarem a investir em apostas desportivas, o que estaria “dependente da sorte”.

Os questionados limitaram-se a referir que lhes foi garantida a rentabilidade e foi com base nessa promessa que investiram.

Apenas uma das testemunhas admitiu que tinha consciência de que estaria a investir em algo com risco e que poderia perder o dinheiro.

Segundo o despacho de acusação, o arguido de Leiria elaborou um esquema fraudulento, de estrutura piramidal, para captar e apropriar-se de fundos alheios.

O esquema “passava por desenvolver um serviço para oferecer a terceiros a aplicação de fundos financeiros em mercados de investimento de confiança sob a promessa de pagamento de elevados retornos”, refere o documento, sustentando que, dada a quantidade de clientes que se propunha angariar, o empresário apercebeu-se de que o dinheiro que viesse a conseguir de uns poderia ser utilizado para pagamentos dos juros prometidos a outros.

De acordo com o Ministério Público (MP), pelo menos desde 28 de junho de 2011 até finais de novembro de 2012, o empresário iniciou a oferta de pretensos serviços financeiros a particulares, prometendo juros “entre os 5% e os 15% ao mês, com a opção de capitalização mensal dos juros ou do depósito mensal de 10% do capital em conta a título de juros”, ou possibilidade de resgate imediato.

O despacho enumera os expedientes a que o arguido recorreu para angariar clientes, como a publicitação na internet ou a distribuição de folhetos.

Num dos ‘sites’, descrevia a atividade como a “realização de apostas desportivas em casas de apostas ‘online’” através dos fundos transferidos pelos clientes. Porém, os montantes entregues “não eram depositados em fundos de investimento”, mas naquelas contas bancárias.

Segundo o MP, atendendo apenas aos ofendidos identificados no processo, o empresário apropriou-se de 664.384,20 euros, dos quais 68.616,46 euros foram usados para pagar o retorno prometido aos investidores.

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