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Opinião

Um país burocrático?

“Falta-nos o mais importante, falta-nos a coordenação e aceitação por parte de todas as entidades intervenientes”.

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Pedro Marques JS
Foto: Pedro Marques / NL

O mundo muda a uma velocidade estonteante e 2020 foi um ano especialmente diferente de todos os outros vividos até então por muitas gerações. Enfrentámos o desconhecido, a necessidade de mitigar os impactos que o vírus SARS-COV-2 causava na sociedade forçaram as medidas de confinamento, exigindo uma transformação social nunca vivida à escala mundial. É caso para dizer que a pandemia acelerou em muitos anos a digitalização.

As empresas, a administração pública, os estabelecimentos de ensino, entre tantas outras entidades e atividades foram forçadas a transitar maioritariamente para o digital, o teletrabalho revelou-se um instrumento fundamental na relação trabalhador – empresa e vice-versa.

Em 2006 surge um programa de simplificação administrativa de nome SIMPLEX sob o lema “Quanto mais simples, melhor.”, uma iniciativa que tinha como objetivo ir ao encontro das necessidades dos cidadãos e da sociedade portuguesa em desburocratizar os mais variados processos, nomeadamente na relação cidadão – Estado.

Em 2020 são inúmeras as ferramentas digitais que podemos encontrar ao nosso dispor. Com um computador e acesso à internet temos a possibilidade de rentabilizar horas que teríamos de despender se nos deslocássemos aos mais variados serviços públicos (Câmara Municipal, Finanças, Segurança Social, Espaço Cidadão, IMT, etc.).

A chave móvel digital revelou-se crucial para muitos portugueses no acesso a plataformas governamentais e do setor privado, criando um acesso único através do número de telemóvel e um código pessoal com confirmação em dois passos através de uma mensagem automática. A assinatura digital veio também comprovar a sua importância na agilização de processos quer a nível particular como a nível empresarial através da assinatura digital com atributos profissionais, permitindo a qualquer cidadão ou empresário assinar documentos e remetê-los aos demais interessados sem que tenha de os imprimir e digitalizar, contribuindo também desta forma para a descarbonização do planeta.

Falta-nos o mais importante, falta-nos a coordenação e aceitação por parte de todas as entidades intervenientes. Não é compreensível que o Estado desenvolva estas soluções e as entidades intervenientes nos processos não se disponibilizem a desburocratizar, não se adaptem às novas realidades e sobretudo não se informem das possibilidades que existem nos dias de hoje.

Só será possível mudarmos o rumo da história se aderirmos em massa a estas novas ferramentas, somos os principais interessados e somos os principais responsáveis pela sua existência. Temos uma sociedade cada vez mais digital e com a responsabilidade acrescida de continuar o longo processo de descarbonização, aceleremos esses processos.

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